Eram 3 da manhã, eu ainda estava com o telefone ligado, ainda ria e gargalhava alto no quarto. Ele me fazia feliz, eu não entendia o porque, mas sentia uma paz imensa quando conversava com ele. Nós nos entendiamos e até hoje isso não mudou. Ou sim! Mudamos o corte do cabelo, a cor, o jeito de sorrir e nossas manias só aumentaram, um ainda suportava o outro. Ele aguentava todas as vezes que eu chorava por alguma coisa, me fazia rir só para poder esquecer um pouco o mundo lá fora, me dizia que eu nunca escutava ele e quando quebrava a cara me consolava e dizia em alto bom som "eu te avisei". Me conhecia como ninguém, sabia o que eu queria, quando eu queria. Me confortava, brigava, implicava, ria da minha cara e sonhava junto a mim. E faz isso até hoje, faz com o mesmo sorriso de sempre, com a mesma vontade e entusiasmo.
Me perguntava todo o dia, o porque eu nunca havia encontrado alguém exatamente igual a ele, para ficar do meu lado quando eu precisasse. Foi um pensamento passageiro, no mesmo instante que pensei nisso, me deparei com ele ali na minha frente, sorrindo, com aquele brilho no olhar e percebi que eu nunca havia visto aquele brilho em nenhum outro. Era esse o brilho? aquele quando amávamos alguém? procurei um espelho, parei, analisei e ali estava ele, na minha cara, me mostrando depois de tanto tempo que eu tinha o mesmo brilho nos olhos, o mesmo sorriso estampado no rosto. Foi confortante e estranho, estranho porque eu nunca me senti tão confortável ao lado de alguém.

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